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História que fascina

Cultura e História fundem-se numa alquimia mágica neste paraíso compilado em cada pequeno detalhe. A Serra do Cipó esconde mistérios ainda não decifrados pelo homem e revela em milhões de detalhes as nuances de um lugar que sempre exerceu fascínio aos que experimentaram contemplá-lo.
Um fascínio que atravessou eras e deixou cravado em pedras os seus registros. Desde a Pré-História, a Serra do Cipó atrai o olhar do homem. Com certeza pela sua magnificência e esplendor ou por abrigar um embrião repleto de vida em sua mais pura manifestação.
Dizem alguns que foi chamada de Serra da Vacaria, para outros sempre foi Serra do Cipó, ou Serra do Rio Cipó. Em seus contornos íngremes e pedregosos, passearam homens que ajudaram a construir a nossa História.
Primeiro foram os primitivos, os índios, depois os Bandeirantes em busca do ouro e dos diamantes. Depois os naturalistas, que no século XIX vinham de longe para contemplar tão belo cenário da natureza. Sempre majestosa, a Serra do Cipó sobreviveu a tudo e seu ecossistema ainda fascina aqueles que recolhem em seus recantos o prazer da contemplação.

Caminhos da colonização

Períodos marcantes da História do Brasil tiveram como cenário os belos contornos da Serra do Cipó. O lugar serviu como via de acesso aos Bandeirantes que partiam de São Paulo em busca de ouro e pedras preciosas após o descobrimento do Brasil. Era através dos acidentados caminhos da Serra do Espinhaço que aqueles aventureiros buscavam acesso à Vila do Serro Frio (hoje município do Serro) até atingir o cobiçado Arraial do Tejuco, mais tarde batizado com o nome de Diamantina.

As marcas deste período ainda hoje atraem turistas e estudiosos à Serra do Cipó. Há vestígios de uma antiga estrada de pedras construída pelos escravos, no local chamado Mãe D’água, que dá origem a uma das mais belas cachoeiras da região, a Véu da Noiva.
Mais recentemente, historiadores iniciaram um trabalho para indicar a existência de um trecho da famosa estrada real brasileira, ligando Petrópolis a Diamantina, passando por Ouro Preto e pela Serra do Cipó, provavelmente em local desconhecido e inóspito.
Já no século XIX, a beleza cênica do local passou a interessar renomados naturalistas de todo o mundo. Seus bosques, cachoeiras e imensa variedade da flora e da fauna atrairam estudiosos como Peter Wilhelm Lund, Eugene Warming, J.B. Spix e C.F.P. Von Martius.
Há, entretanto, vestígios que comprovam a existência de civilizações primitivas na Serra do Cipó em antepassados remotos.

Inscrições rupestres encontradas em locais como a Lapa da Sucupira já catalogadas por arqueólogos, apontam para a existência do homem no local há pelo menos 8 mil anos. Outros estudos referem-se à Serra do Cipó como palco do primeiro enterro ritualizado já registrado em todo o mundo, o que reforça a tese de que o local pode esconder um dos maiores patrimônios arqueológicos do país. Há também inscrições, localizadas em regiões como o Alto Palácio, ainda não catalogadas pelos arqueólogos.
Mas quem pensa que a Serra do Cipó restringe sua história a estes fatos engana-se. O local abrigou em tempos ainda longínquos um pequeno mar, “tão estreito quanto o Mar Vermelho”, segundo pesquisas do geólogo Carlos Noce, da Universidade Federal de Minas Gerais. A região é datada do período Pré-Cambriano e abrigou formas primitivas de vida há nada menos que 1 bilhão de anos.

Há evidências da existência deste mar que podem ser comprovados por qualquer turista. São ondulações produzidas nas rochas, chamadas pelos cientistas de “Ripple Marks”, marcas de ondas que permitiram aos geólogos avaliar até mesmo o sentido das correntezas e a profundidade das águas deste primitivo oceano.
Para os estudiosos da botânica e da arqueologia, a importância histórica da Serra do Cipó é emblemática. O primeiro naturalista a utilizar o nome Espinhaço foi Eschewge (1822), para identificar uma cadeia de montanhas que se estendia da Serra Geral em direção ao Norte, até alcançar a divisa dos estados da Bahia e do Piauí.

Há indícios de que o local foi um campo de pesquisas para o arqueólogo dinamarquês Peter Lund, o Dr. Lund, que desenvolveu grande parte de suas pesquisas nas proximidades de Lagoa Santa, descobrindo várias grutas e fósseis de animais pré-históricos
Naturalistas famosos como o francês Saint Hilaire, o inglês Gardner e o alemão Von Martius também deixaram seus passos no local. Os botânicos brasileiros Mello Barreto, Alvaro Silveira e Aylton Joly fizeram da Serra do Cipó seus laboratórios de pesquisa, destinando um rico acervo para o progresso da nossa ciência.

Numa de suas inúmeras visitas à Serra do Cipó, o paisagista brasileiro Burle Marx traduziu numa única frase o fascínio gerado pelo lugar nas pessoas, como ele, acostumadas a lidar com a natureza. “Aqui na Serra do Cipó, em apenas um metro quadrado, encontramos mais espécies de plantas do que em um quilômetro quadrado de Floresta Amazônica”.